Colégio de Líderes aberto termina sem montar a pauta do Plenário

Deputados durante o Colégio de Líderes desta quarta-feira (18). (Foto: Fernanda Arai)

Na tarde desta quarta-feira (18), o inédito Colégio de Líderes de caráter aberto terminou sem cumprir uma de suas principais funções: organizar a pauta do Plenário. As sessões vão se iniciar na tarde desta quinta-feira (19), e seguem na sexta. Ao final da reunião, o deputado Caio Leal (PDT), informou que terminaria de montar a pauta junto à Secretaria Geral da Mesa ainda na quarta-feira (18), pois está dentro de seu papel de Presidente da Casa.

O líder do PSB, deputado Davi Marques, criticou a atitude da Mesa durante a reunião, ressaltando que a condução foi antidemocrática. O deputado concentrou suas reclamações na figura do deputado Leal. “O Caio controlou a lista de oradores completamente, impediu que nos participássemos como nós participaríamos num ambiente fechado que, infelizmente, costuma ser o jeito que temos mais voz e conseguimos influir melhor na pauta”, disse.

Já o deputado Caio Leal acredita que sua conduta não foi antidemocrática, afirmando que “desde segunda-feira, venho pedindo aos parlamentares e líderes que mandem seus pedidos de projetos para pautar no plenário e alguns parlamentares foram entregar só durante o colégio de líderes”. Ele disse que “não teria feito diferente a forma que nos conduzimos a mesa, nós buscamos tentar da forma mais pedagógica possível porque existiam pessoas assistindo. O que eu mudaria era deixar apenas líderes falarem e não liberar para presidente de comissão”.

Corroborando com o posicionamento do deputado Davi Marques, a deputada Jordanna Lourenço (DEM), também relatou sua insatisfação, e disse que mais seis líderes com quem conversou dividem da mesma opinião. “Acabou que o Caio não pediu a opinião de ninguém, ele montou a pauta exatamente do jeito que ele quis. Ele avisou publicamente como a pauta estaria, vai ser da esquerda para a direita. Ele ouviu o que a gente tinha para falar, mas pelo que eu vi ele não fez nenhum tipo de alteração”, afirmou a deputada.

O Presidente da Casa ressaltou que manteve o que foi acordado durante a reunião. “O que foi decidido com eles, os quatro primeiros projetos, ficaram e o restante a gente terminou de fechar no QG, com a organização, usando os projetos prioritários que foram pedidos pelos partidos e intercalando projetos mais à esquerda e mais à direita, como foi me solicitado durante o Colégio de Líderes, que eu mudei de opinião inclusive”.

Além disso, o líder do PSDB, Ismael Júnior, acredita que Leal “procurou privilegiar os líderes do bloco progressista, negligenciando o compromisso que ele tem com os demais parlamentares” e ainda que “o Presidente se mostrou indiferente com as pautas da Frente Parlamentar Republicana porque ele pretende pautar todos os nossos interesses na última sessão. Isso o exime de qualquer responsabilidade no decorrer da simulação. Ou seja, acaba aplicando uma mordaça aos parlamentares do Bloco Republicano para que não obstruam porque senão não seriam pautados os interesses deles”.

A 1ª vice-presidente da Casa, deputada Marcella Pellegrini (PSD), declarou que a Mesa estava aberta ao diálogo mesmo depois de encerrada a reunião. “O que a gente queria ter montado mesmo era toda a pauta com líderes, só que a gente foi informada, em cima da hora, que horas ia terminar o colégio de líderes e não teve outra possibilidade. Tanto é que, quando terminou o colégio de líderes oficialmente vários líderes de partido, presidentes de comissões vieram falar com a gente depois e a gente ouviu todo mundo. Inclusive vieram pedir para incluirmos um projeto e a gente incluiu”.

O 2º vice-presidente, deputado Luiz Phelipe Santos (PT), acredita que os projetos são de interesse geral e não estão presos a ideologias. “Acho que são pautas importantes para todo mundo. Uma delas, inclusive, eu vou estar presidindo, que é a do suicídio. É uma questão importantíssima hoje na nossa sociedade que aflige independente de ideologia, de partido. Então eu acredito que a pauta foi construída de forma que possa ser debatida independente de ideologia”.

Membras da Frente Parlamentar Progressista também vieram apoiar a conduta da Presidência durante o encontro. A Secretária da Mulher, deputada Julia Ferreira (PT) elogiou que “o Colégio de Líderes foi extremamente aberto e democrático, justamente pelo fato dele ter sido aberto”. Já a deputada Nathalia Uchôa, líder do PDT, rebate os comentários de que Leal tenha sido antidemocrático. “A gente viu que várias pessoas tiveram fala, inclusive várias vezes. Pelo menos, da minha parte, eu não percebi nenhum tipo de tratoragem, ele foi aberto, deu fala para todo mundo, poderiam chegar e conversar com a mesa diretamente como eu fiz várias vezes… então não entendi porque estavam falando isso”.

A Presidência da Casa durante reunião do Colégio de Líderes. (Foto: Fernanda Arai)

PAUTA COMPLETA DO PLENÁRIO PARA AS 3 SESSÕES:

PROJETO-AUTOR(A)-EMENTA

PL  072/2018 – Gustavo Costa (PSB) – Direito a identidade de gênero e documentos para pessoas trans;
PL  076/2018 – Lara Malta (MDB) – Responsabilidade de produções cinematográficas sobre o Suicídio;
PL 107/2017 – Nailah Neves – Instaura a Comissão nacional da Verdade sobre a escravidão negra;
PL 176/2018 –  Privatização da Petrobras;
PL 131/2018 – Luigi Berzoini – Bigâmia;
PL 066/2018 – Jamille Guedes – Mães encarceradas;
PL  110/2018 – Davi Marques – Institui o voto distrital misto nas eleições proporcionais;
PLP 004/2018 – Luigi Berzoini – Ficha Limpa;
PL 180/2018 – Bruno Talpai – Lei do estágio;
PL  158/2018 – Natália Evangelista – Revista Vexatória;
PL 117/2018 – Caio Leal – Lobby;
PL 041/2018 – Isaac Simas – Estatuto do Desarmamento.

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