Cotas explodem CCJC

Ao final da primeira sessão da manhã de 18 de julho, o Projeto de Lei nº 107, do deputado Heron José (DEM), que pretende erradicar o sistema de cotas, entrou em regime de discussão na CCJC. O debate acalorado gerou muita gritaria e confusão, muitos requerimentos para o encerramento da discussão foram rejeitados pela comissão. O líder do PSD, Diego Pimentel, pediu vista ao projeto, encerrando as discussões sobre o tema.
A comissão se encontrava dividida entre os que apoiavam e os que queriam rejeitar o projeto, Ismael Júnior deixou claro ao se posicionar a favor do projeto: “A minha cor nunca me lesou em nada”. O debate não se fez construtivo mesmo que muitos conceitos como liberdade e igualdade tenham sido postos em conflito. Além disso, comparações de fraco poder argumentativo se fizeram presentes, como cotas para mulheres e cotas para negros. Ao relatar sua experiência pessoal, Douglas Oliveira disse: “é muito mais difícil para quem precisa de cotas sociais”.
Ficou clara a identificação do sistema de cotas com uma ação afirmativa que possui cunho temporário, o parlamentar Caio Paixão ainda exemplificou utilizando o conceito de uso da força normativa a fim de atingir igualdade. Paixão, ainda na sua fala, entrou em conflito com o autor do projeto, Heron, que disse: “eu não quero ser igual a ninguém, principalmente igual a certas pessoas”, se referindo ao líder do PMDB. Esse deputado também foi alvo de críticas durante o debate por interromper outros deputados, mas deixou claro: “se a senhora não me respeita eu não a respeitarei”.
O quesito histórico também foi usado como argumento, ficou nítido que muitos deputados acreditavam que o regime de cotas diz respeito a oportunidade e herança do período colonialista, contudo, o deputado Ismael frisou: “o que viveu meus avós não interfere no que eu vivo”. Esse deputado ainda disse que não nota desigualdade e que todos podem estudar e ascender socialmente, Larissa Désirrée rebateu: “se o senhor não vê a desigualdade na sociedade, o senhor é no mínimo cego”.

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