“No plenário a gente conversa”

 

Na manhã desta quarta (24), a reunião da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) foi conturbada. Durante a leitura do parecer da deputada Isabella Magliano relativo ao Projeto de Lei 25/20191, a relatora foi interrompida pelo deputado Gabriel Lima (PDT) algumas vezes. Ao cortar a deputada pela ordem para pedir que se referisse aos deputados como “Vossa Excelências” e não “vocês”, a deputada Mônica Duarte, líder do PRB, interviu em apoio pela deputada. “Desrespeitoso não é esquecer de usar ‘Vossa Excelência’ uma vez, mas sim interromper a deputada mulher”, afirmou em seu protesto.

Em seguida, o Projeto de Lei 78/2019, relativo à restrição de porte de armas para civis, recebeu pedido de vista, o que causou a indignação de alguns deputados. Faltando meia hora para acabar a primeira sessão, o Presidente da Casa e a Secretária da Mulher convocaram todas as deputadas para reunião feminina. O Presidente da Comissão, João Pedro Pietricovsky (PR), suspendeu a reunião, mas abriu novamente depois de alguns minutos. Quando questionado, alegou ter aberto apenas para encerrá-la oficialmente, mesmo tendo a prerrogativa de ter esperado o tempo recomendado pela Presidência da Casa, ou seja, até o fim da reunião feminina, para encerrar a reunião. Só havia homens durante o encerramento.

Na volta dos trabalhos, o Projeto de Lei 33/2019, que trata da retirada de invasores de propriedade privadas, gerou polêmica. O parecer foi pela aprovação. Alguns deputados chegaram a declarar que o projeto criminaliza movimentos sociais como o MST. O deputado Rafael Oliveira (PSD) alegou que “os senhores têm o sangue do povo nas mãos, por isso tem medo do povo! Isso é um absurdo”. No fim das discussões, o projeto foi rejeitado. O autor, Marcos Paulo (DEM), discorreu sobre sua rejeição, antes de deixar o plenário da Comissão. “Esse projeto vai pro plenário da Casa, no plenário a gente conversa”, declarou.

A sessão foi interrompida devido à completa obstrução dos trabalhos por parte de grande parte dos deputados. Depois de retomada da ordem pelo presidente Pietricovsky, o Presidente da Casa, João Victor Tocantins, pediu a palavra pela ordem como deputado e citou os artigos regimentais relativos à autoridade do Presidente de cassar a palavra de deputados que obstruam ilegitimamente. Ao final, a Comissão cumpriu seus trabalhos.

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