O primeiro candidato

Legenda: Na legislatura de 2018, o deputado João Victor Tocantins discursa ao Plenário

Na primeira coletiva de imprensa do Politeia, realizada no domingo, dia 9, apenas o nome de João Victor Tocantins foi sugerido para a presidência da Casa. Apesar de não estar presente, seu nome foi citado pelo líder do PP, Gabriel Moreira, e mais algumas vezes, durante a tarde, por outros líderes do Bloco Progressista, como Victor Frank, do PR. Poucos da plateia deixaram de aplaudir Tocantins, único candidato confirmado até aquele momento. O jornal conversou com o deputado sobre sua candidatura e outras questões levantadas na coletiva, com perguntas diretas pré-estabelecidas.

Na coletiva, o parlamentar Matheus Oliveira, líder do DEM, informou que seu partido foi convidado a integrar o Bloco Progressista, mas, por “falta de propostas concretas”, recusou. Citando essa resposta, perguntamos se Tocantins concordava que a sua candidatura era a responsável pela união do Bloco Progressista. Discordando, o deputado deixou claro que as propostas do Bloco visam o progresso, ideia decorrente de uma construção conjunta, a qual demanda longo tempo de maturação, ultrapassando até mesmo um ano. “Em qualquer ambiente democrático se tem ideias divergentes, e isso é normal”, respondeu o candidato, com pausas bem marcadas. “O grande problema é quando não se entende de fato quais são as propostas. As propostas do Bloco Progressista são claras: o Progresso. Deixar o conservadorismo exacerbado.” Respondendo à pergunta, disse não concordar com a ideia de que é a sua candidatura que une o bloco. 

Na entrevista com Tocantins, a questão da candidatura de mulheres também foi abordada. Questionamos se o candidato concordava com a ideia de que estava na hora de uma mulher ser a presidente da Casa. No mesmo ato, citamos o discurso do líder do PT, Matheus Freitas, que ressaltou  ser o único líder negro e, ainda, reportamos os boatos de que uma mulher poderia concorrer pela bancada feminina. A resposta veio em tom pacificador. “Eu festejo e congratulo qualquer tipo de adversário. Não é da práxis progressista desconstruir uma adversária ou um adversário, até porque estamos mais preocupados em fazer um bom trabalho em vez de ficar minando campanha dos outros. O objetivo é construir um espaço democrático.” Como o papel das minorias foi citado, ele respondeu que, “no que se refere à representatividade, há de se lembrar que a presidência seria capitaneada por um membro LGBT e por uma membra mulher (referindo-se à candidata à Vice-Presidência, Natália Uchôa), então a representatividade está altíssima no Bloco Progressista.”

Ao ser perguntado sobre críticas anônimas que afirmam que ele seria  “um trator” e “rígido demais”, o tom da resposta, firme e objetivo, manteve-se o mesmo — mas o escudo foi levantado. “Muito me admira que, quando um candidato LGBT se candidata à presidência da Casa, esse tipo de críticas surjam. Não tive críticas quanto à competência e ao diálogo.” Terminou a resposta desapontado com os críticos. “Definitivamente, ‘trator’ e ‘rígido demais’ são argumentos muito fracos no nível do debate progressista.” Parlamentar de quarta (e última) viagem, foi questionado sobre a candidatura ser “uma tentativa de fechar com chave de ouro” e sobre a restrição para a participação até quatro legislaturas. A resposta foi direta: “Só seria fechar com chave de ouro caso o projeto morresse por aqui. As pessoas vão, as palavras ficam.” Com a mesma seriedade, afirmou que não vê como fechar com chave de ouro, mas “encerrar uma etapa, já dando uma abertura para novas perspectivas e ideias.”

Matheus Oliveira, líder do DEM, comentou a falha de alinhamento entre partidos. “Acredito que haja uma falha de comunicação dos partidos com o DEM. Falta sentar com o DEM e falar ‘queremos discutir propostas.’” Após a coletiva, o bloco PSDB-DEM conversou com a imprensa sobre a candidatura proposta pelo Bloco Progressista. Para o líder do PSDB, o deputado Lucas Soriano, “o fato de não fazermos parte do Bloco Progressista nesse momento, publicamente, não significa que somos oposição ao João Victor Tocantins.” Disse, ainda, que “o PSDB – DEM não está se preocupando em seguir linha de bloco. Estamos articulando em nosso favor e em favor dos interesses dos nossos partidos.” Por fim, relatou: “O PSDB não pretende lançar um candidato do próprio partido à presidência da Casa. […] Pretendemos seguir a orientação de algum dos blocos que seja mais atraente à coligação PSDB – DEM.”

 

Até o momento do envio desta matéria, nenhum outro candidato foi anunciado por nenhum bloco ou partido.

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