Pela primeira vez, mulher negra é eleita à Secretaria da Mulher

Da esquerda para a direita: Dep. Julia Ferreira (PT), dep. Thais Cardoso Pereira (PT) e dep. Gomes de Oliveira (PSD). Foto: Maysa Camelo

Neste ano, o Projeto Politeia contou com a participação de mulheres negras em diversas funções. A exemplo disso, esta é a primeira simulação em que uma mulher negra é eleita como secretária da mulher. A dep. Júlia Ferreira (PT) é estudante de antropologia da UnB e está em sua segunda participação no Politeia.

Após a vitória, em meio ao processo de eleição na sessão preparatória, ela enfatizou a questão da representatividade em seu discurso. “Nós mulheres sabemos a importância desse cargo. Essa é uma luta que pretendo continuar não só por nós, mas pelas minhas ancestrais”. A secretária  ainda expôs os princípios que pretende seguir em sua função. “O meu intuito nesse cargo é trazer a força que a secretaria da mulher pode ter, seja na Câmara ou no Senado e o que eu quero trazer para minha atuação é a equidade entre homens e mulheres, mulheres brancas e mulheres negras”, ressaltou.

A Secretária da Mulher, dep. Julia Ferreira (PT). Foto: Julia Moraes

Além de Júlia Ferreira, outras mulheres negras também estão em posição de liderança nessa edição do Politeia. Já é a quinta vez que Ludmilla Brasil (PT) atua como simulante e dessa vez, ela teve a oportunidade de liderar o Bloco Progressista. A deputada conta que na esfera política, assim como em outros espaços, a realidade vivida por mulheres negras envolve machismo, racismo e outros preconceitos e evidencia que essas mulheres precisam estar continuamente provando suas capacidades. “Para ser uma mulher negra líder no Politéia você tem que ser uma mulher que se impõe muito, que fala firmemente, que defende seu ponto de vista. Nós temos capacidade de fazer política sim, porque vivemos na pele o que essa política institucional racista, machista, LGBTfóbica faz”.

A dep. Thaís Cardoso Pereira (PT) também é veterana na simulação. A líder do Partido dos Trabalhadores está em sua terceira participação e afirma que a oportunidade de passar os conhecimentos que adquiriu é sua motivação para simular. “ Quando a gente enfatiza que gosta do Politeia é porque a gente consegue às vezes chamar um calouro que é da periferia para simular e ter uma perspectiva diferente, podendo passar um pouco do que a gente aprendeu. Queremos dar voz e suporte a esses calouros”.

A deputada Gomes de Oliveira (PSD) é caloura no Politeia e já conquistou a vice liderança da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO).  Ela reforça a ideia de Thais de que as mulheres negras pretendem garantir a continuidade de suas presenças no Politeia. “ O que a gente está fazendo aqui não é só para esse momento, estamos fazendo pelos outros que virão também. Estamos aqui com uma agenda e vamos lutar por ela”.

As deputadas veteranas entendem que houve mudanças positivas ao longo das simulações no que diz respeito às discussões de raça e gênero. Em sua primeira participação, Gomes de Oliveira também avalia sua experiência positivamente. “ Tive a oportunidade de presidir a comissão em alguns momentos e nem precisei pedir. Esses embates estão funcionando. Em alguns ambientes não precisamos usar o nosso marcador de raça e gênero para que a nossa presença seja considerada”.

Apesar de serem otimistas nesse sentido, as simulantes acreditam que existem pontos a serem melhorados, em especial à cobertura jornalística. “É preciso que a imprensa se conscientize para não reproduzir violências. Espero que mantenham uma postura de cuidado com a representação das mulheres negras no Politeia. Acho que o Politeia é um espelho para muitas coisas. A partir do momento que mostramos que temos força e espaço aqui dentro, é importante ter o apoio da imprensa.”, afirmou a secretária da mulher.

Para as deputadas, é preciso visibilizar conquistas de pautas raciais, de gênero e LGBTQI+. “O nosso objetivo é fazer com que o Politeia seja mais real, mais dinâmico, mais aproveitável possível. Para isso, pedimos a contribuição do trabalho da mídia”, reforçou a dep. Ludmilla Brasil.

Gomes reiterou a necessidade de dar visibilidade a outras pautas. “A representatividade lgbt não foi mencionada e foi muito articulada. Nós não temos só a nossa pauta, a gente traz uma comunidade com a gente e percebemos que ela está sendo silenciada”, concluiu.

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