Política: um substantivo feminino

Desrespeitadas, interrompidas e silenciadas. Em que momento três palavras comuns se tornaram adjetivos femininos? Não é de hoje que mulheres inseridas no meio político se veem frequentemente caracterizadas por termos como estes. Ontem, por motivos infelizes, os questionamentos das parlamentares nas comissões da Câmara dos Deputados não foram diferentes. Após uma belíssima articulação feminina, porém, a atitude das deputadas mostrou onde estava a mudança.

Em reunião na Secretaria de Mulheres para decidir os projetos da Bancada Feminina a serem encaminhados ao Plenário, as parlamentares apontaram os casos de machismo e desrespeito ocorridos durante as sessões, em destaque na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), aquela que deveria garantir à população o que o nome defende. Posteriormente à reunião, foi imediata a primeira resposta para a união das mulheres da Casa. Pela segunda vez no Politeia, o Colégio de Líderes foi aberto aos parlamentares. A decisão do presidente da Câmara, João Vitor Tocantins (PR/TO), foi tomada minutos antes do início do Colégio, após pedido das líderes para que mais deputadas pudessem se fazer presentes no debate.

Se a reunião pela manhã na Secretaria de Mulheres foi decisiva para a participação das parlamentares no Colégio de Líderes, o engajamento feminino foi, sem dúvidas, motivador da clara mudança de postura das deputadas nas comissões que se seguiram durante a tarde. Mais firmes e não se deixando silenciar, a forma que as mulheres defenderam os projetos da pauta feminina e se articularam em conjunto foi mais que admirável. Muito bem orientadas pela presidente da Secretaria, Gabrielly Lopes (PSB/CE), e pelas líderes partidárias Mônica Duarte (PRB/SC), Marcella Pellegrini (PSD/GO) e Amanda Fortaleza (PSL/CE), após a reunião da Bancada Feminina, as demais parlamentares seguiram discursando muito bem, mas garantiram que não falariam mais sem serem ouvidas.

Alteraram posições com os homens em comissões, marcaram presença, defenderam pontos de vista, aprovaram pautas e levaram assuntos femininos à Plenário. Mas a beleza desse engajamento não ficou dividida entre as comissões. Em um dos momentos mais bonitos e marcantes deste Politeia, após fortes discursos das líderes partidárias, a fala conclusiva da deputada Amanda Fortaleza, na coletiva de imprensa de ontem, já adiantou a todos os parlamentares presentes o que não será mais aceito no Plenário. Os aplausos que sucederam o discurso da líder do PSL definiram o resultado da união feminina. Desrespeitadas, interrompidas e silenciadas? Não. Agora não mais. Sem dúvidas, a mudança já aconteceu e o recado foi dado: política é um substantivo feminino.

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