PSL não consegue apoio e será minoria na Câmara

Deputado Isac Arcanjo (PSL/PR) discursando no Plenário da Câmara dos Deputados

Após a repercussão de conflitos internos e externos, o PSL se encontra em um momento difícil, pois atualmente é a única sigla que não integra o Bloco Democrata. Sendo assim, o partido ocupará a posição de minoria da Câmara dos Deputados nesta legislatura.

Segundo o deputado federal Isac Arcanjo (PSL/PR), líder do PSL, o isolamento da sigla aconteceu porque não houve um diálogo aberto com os outros partidos da Casa. O parlamentar também acredita que o fato da maioria dos deputados federais identificarem o PSL como extremista pode ter prejudicado as negociações.

Por conta desse cenário conturbado, Arcanjo descarta a possibilidade do PSL lançar uma candidatura para concorrer à presidência da Câmara. “Não vale a pena tentar, porque somente irá alimentar um debate desnecessário. Preferimos assumir um papel à parte do Bloco Democrata, pois este infelizmente tomou as decisões praticamente sozinho”, salientou o parlamentar.

O líder do PSL também afirma que o partido discorda do jeito que o Bloco Democrata propôs a distribuição de funções na Casa. “A divisão de cargos e comissões foi feita de forma exacerbada, muito apressada e sem a nossa participação. Acabamos ficando com pouquíssimos cargos, sendo que nós, como oposição, deveríamos ter ficado com [a presidência de] pelo menos uma comissão, o que acabou não acontecendo”, desabafou Arcanjo. 

Visão dos membros sobre o isolamento do PSL

Não há consenso entre os membros do PSL sobre os acontecimentos que motivaram o isolamento do partido na Câmara. Para o deputado federal Márcio Dias (PSL/PR), a sigla se distanciou por ter adotado uma postura mais conciliatória do que impositiva. “Nosso líder fez o que pôde nas negociações, mas a dificuldade de montar um partido coeso, bem como o preconceito dos outros partidos, pensando que seríamos reacionários ou algo do gênero, atrapalhou em muito as articulações”, disse o parlamentar.

Por outro lado, o deputado federal Brian Ferreira (PSL/AL) acredita que as articulações do partido foram ineficazes. “Nosso líder partidário quis passar a ideia de que estamos disponíveis para dialogar com todos, o que é verdade, mas isso soou mal para os outros partidos e acabou nos isolando”, alegou.

Assim como Ferreira, o parlamentar Fabrício Souza (PSL/CE) discorda da abordagem utilizada por Arcanjo durante as articulações com outros partidos políticos. Para ele, faltou firmeza do líder da sigla para garantir que o partido tivesse maior representatividade na Câmara.

Em contrapartida, o deputado federal Eduardo Araújo (PSL/SP) defende que a articulação bem-sucedida do Bloco Democrata foi o principal responsável pelo isolamento da sigla. “Tentamos nos comunicar com o DEM, mas eles [Bloco Democrata] se articularam melhor do que a gente. É difícil reverter [a condição de minoria], mas estamos lutando para que nosso partido tenha participação e seja o mais ativo possível nesta legislatura”, afirmou. 

Visão dos líderes partidários sobre o isolamento do PSL

O deputado federal João Loureiro (PSDB/SC), líder do PSDB, diz que inicialmente os partidos tiveram boa relação com o PSL, mas que os constantes desentendimentos e quebras de expectativa levaram, lentamente, à exclusão da sigla. “Tivemos algumas polêmicas em torno do PSL. Acredito que isso foi mitigando a imagem deles”, disse. 

Assim como Loureiro, o deputado federal Guilherme Peres (PT/AC), líder do PT, pontua que as diferenças ideológicas e os diversos conflitos causados pelo partido foram elementos centrais para justificar o ocorrido.

Por outro lado, a deputada federal Lara Malta (PSB/BA), líder do PSB, relatou dois motivos para justificar o afastamento entre seu partido e o PSL. Segundo ela, foi uma decisão natural: “Conversamos com o PSL sobre a possibilidade de nos apoiarmos em alguns projetos, mas discordamos em muitos aspectos. Além disso, nós [PSB] temos um objetivo em comum com o Bloco Democrata: se impor e mostrar a força do progressismo”, apontou Lara.

Um dos principais articuladores do Bloco Democrata, o deputado federal Matheus Freitas (MDB/GO) alega que o isolamento do PSL se deu devido ao que ele classifica como desfalque com a verdade. De acordo com ele, as informações que eles compartilhavam com Arcanjo chegavam ao partido dele de forma distorcida e, em alguns casos, nem sequer chegavam. 

Por fim, o deputado federal Bruno Torquato (DEM/MG), vice-líder do DEM, apontou que houveram tentativas por parte da sigla em se juntar ao PSL, mas que não chegaram a oficializar um acordo. “Existiram rumores que poderíamos fechar com o PSL, mas não recebemos uma proposta que agradasse os interesses dos nossos membros. Fechamos com o Bloco Democrata para conseguirmos priorizar a unanimidade de ideias”, complementou.

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