Sessões em plenário da Câmara dos Deputados marcam encerramento do Projeto Politeia em 2018

O Politeia 2018 chegou ao final com as sessões plenárias no auditório Ulysses Guimarães na Câmara dos Deputados ocorridas na tarde de quinta-feira (19/07) e durante toda a sexta-feira (20/07). O objetivo foi realizar votação final dos projetos de lei que passaram pelas comissões e foram admitidos na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, avaliando admissibilidade, constitucionalidade e mérito das proposições.

Na primeira sessão, três projetos foram deliberados e aprovados. As discussões foram intensas e os projetos de lei trataram de identidade de gênero, suicídio e da criação da Comissão Nacional da Verdade sobre a Escravidão. Já durante a sexta feira, foram aprovadas proposições com temas como bigamia, prisão domiciliar para detentas gestantes e mães, voto distrital misto nas eleições proporcionais e revista íntima no sistema prisional.

Os líderes das bancadas progressista e republicana falaram sobre como foi o andamento dos trabalhos. Para Ismael Júnior (PSDB), a maior parte dos projetos foi aprovada com consenso. “Quanto às pautas republicanas, vários projetos foram obstruídos pelos próprios membros da bancada para dificultar o andamento de projetos da bancada adversária, o que acabou acalorando o plenário. Com isso, a gente conseguiu fomentar um pouco mais de divergência, que é o que promove o crescimento dos participantes”.

Thaís Cardoso(PT) elogiou a mesa diretora por ter sido diversa em sua representação. A simulante também viu com bons olhos o fato de os deputados de ambas as bancadas terem dado espaço para que as mulheres falassem a respeito da pauta de revista íntima em presídios.

O presidente da Câmara dos Deputados Caio Leal (PDT) avaliou as sessões de maneira positiva. “Depois de muito tempo tivemos um plenário que se encerrou de forma calma. Geralmente acontecem muitas obstruções e brigas”, pontuou.

Balanço de 2018

Segundo levantamento da coordenação divulgado durante a sessão de encerramento do projeto no auditório Nereu Ramos, participaram do Politeia 102 simulantes de primeira viagem e 53 veteranos. Do total, 75 eram mulheres e 94 homens. Pardos e pretos foram a maioria, sendo 88. Além de simulantes do DF, participaram também 84 pessoas de fora. Foram enviados para deliberação 188 projetos de lei complementar, sendo 36 de parlamentares de primeira viagem.

A organização do evento se prepara um ano antes de ele acontecer. Natália Oliveira atuou como secretária da mesa diretora e na Comissão de Seguridade Social e Família, auxiliando os presidente da mesa e a presidente da comissão a conduzirem as votações seguindo as regras presentes no regimento. Ela contou como foi a experiência.

“A gente nunca tem noção do que sabe até precisar desse conhecimento. Vi várias situações que estudamos acontecendo. Quando percebi que estava conseguindo lidar com essas situações nas comissões, vi que valeu a pena o meu esforço. Me sinto muito mais preparada profissionalmente. Fez a diferença na minha vida acadêmica e profissional. Ver que conseguirmos aplicar tudo o que a gente aprendeu e se dedicou durante um ano pra mim é um presente”.

Neste ano, Luiz Phelipe Santos participou da simulação como vice-presidente da Câmara dos Deputados. Já em sua quarta participação, dessa vez ele teve a oportunidade de presidir sessões. Para Luiz Phelipe, é importante ajudar aos simulantes de primeira viagem a estarem melhor preparados. “Gostei muito da rigidez da organização para garantir que as proposições fossem escritas com maior qualidade. No momento das comissões vi que havia a proposta de dar apoio aos novatos não só mandando olhar no regimento, mas também dando caminhos para que eles atuassem. Para mim, esse foi o diferencial desse ano. Os projetos foram escritos com maior qualidade e as pessoas estavam mais preparadas porque houve essa ajuda prévia, esse suporte”, observou.

Júlia Ferreira atuou como secretária da mulher e disse que ,em comparação com o ano passado, ficou feliz com os resultados do Politéia neste ano com relação à pautas femininas de gênero. Para ela, a sensação é de dever cumprido. “Eu e outras mulheres conseguimos desempenhar o que propomos. Ser a primeira mulher negra na secretaria é difícil. É uma responsabilidade maior e eu topei estar no cargo pela representação que eu traria. Sentia falta disso nas simulações. Acredito que politeia melhorou e que pode melhorar sempre mais e mais, concluiu

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